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sábado, 28 de maio de 2011

Internet e as Manifestações Políticas no Egito


Foram 18 dias de protestos que culminaram na renúncia do ditador Hosni Mubarak no último dia 11 de fevereiro, no Egito. Houve pressão política por parte dos Estados Unidos e países da Europa para que o ditador renunciasse, mas as manifestações populares no país, de vários credos, etnias e idades, foram determinantes para a queda da ditadura de Mubarak, que estava no poder há mais de 30 anos.

Para dar suporte às suas manifestações, os insurgentes contaram com o suporte de um tremendo aliado de guerra: a internet. Eles utilizaram as redes sociais para se comunicar e protestar contra o governo, contabilizando milhares de postagens no Facebook e no Twitter que possibilitaram a reunião de mais de 100 mil pessoas na Praça Tahir, centro do Cairo. Eram jovens que reclamavam contra o desemprego, homens e mulheres que queriam melhores condições de vida.

E, apesar das censuras do governo egípcio, das prisões, como a do Diretor de Marketing da Google para o Oriente Médio, Wael Ghonim, e das tentativas do governo de reprimir qualquer manifestação, os insurgentes articularam protestos contra o regime na esfera virtual e depois aplicaram as ações planejadas na esfera real.

Essas recentes transformações mostram o quanto a internet tem tido um papel fundamental na sociedade contemporânea. “As redes sociais e outras ferramentas tecnológicas contribuem para a potencialização de manifestações democráticas ao facilitar a articulação de movimentações políticas de grande proporção como foi a do Egito, através de ampla, geral e irrestrita liberdade de informar e de qualquer um ser informado”, justifica o Dr. Celso Antonio Pacheco Fiorillo, Coordenador do Programa de Mestrado em Direito da Sociedade da Informação da FMU-São Paulo.

Segundo o jornalista Malcolm Gladwell, as redes sociais não criam movimentos sociais por si só, se as condições para isso não existirem dentro da sociedade em que eles se originaram. A Professora do Departamento de Política da PUC-SP, Vera Chaia, acredita que toda essa atividade política ocorreu no Egito, através da internet, porque havia uma crise de representatividade de partidos políticos. “Em regimes ditatoriais, ou onde há ineficiência das instituições formais, de modo geral, para representar o povo, cria-se um espaço para esses movimentos sociais”, argumenta Vera.

Na opinião de Vera, ninguém imaginava que a internet se tornasse uma força propulsora e capaz de articular e apoiar manifestações políticas com tamanha intensidade e proporção e que tudo o que tinha sido articulado digitalmente, extrapolasse a esfera virtual e se concretizasse. “Segundo Barack Obama, nem mesmo a Inteligência Americana, o Pentágono e o FBI sabiam que, há mais de um ano, egípcios articulavam grandes manifestações contra o governo através de sites, redes sociais e blogs de dissidentes”, lembra Pollyana Ferrari, Professora do Departamento de Jornalismo da PUC-SP.

Ferrari explica que, no passado, não existiam tantos movimentos na internet relacionados a questões políticas porque a informação era centralizada pelos governos, mas, hoje, há várias redes com servidores espalhados por vários países que conectam pessoas do mundo inteiro e é muito mais difícil para os governos filtrar a informação.

“No Egito, as manifestações, através das redes sociais, foram possíveis porque também há jovens egípcios politizados, da Geração Y (menos de 30 anos) que lutam contra o desemprego e estão acostumados a usar a internet para se manifestar e expressar o seu descontentamento. Na Itália, por exemplo, os protestos contra Berlusconi acontecem nas ruas, mas não nas comunidades digitais, porque os jovens, em geral, não estão acostumados a se comunicar dessa forma”, conclui Ferrari.

Fonte: http://solteagravata.com/?p=567

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